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domingo, junho 03, 2012

As causas do Coiso


A 7 de Março de 1975 saía o primeiro número de "O Coiso", o "semanário de maior penetração no país".

A ideia partiu de um grupo de pessoas que se entendiam já há algum tempo: o Álvaro Belo Marques, o Ruy Lemus, o Mário-Henrique Leiria, o Carlos Barradas, o José António Pinheiro e eu próprio.

"O Coiso" nasceu dependente do diário "República", custava 5 escudos cada exemplar e, na sua "Declaração de Princípios", dizia "que as pessoas, já de si chatas, estão agora muito chatas, e levam-se cada vez mais a sério".

Estávamos em pleno "prec", toda a gente era revolucionária e o riso poderia ser considerado uma cedência à reacção. Embora, finalmente, tivesse terminado a censura, graças ao "glorioso 25", havia coisas de que se não falava, por pudor revolucionário.

Vai daí, logo no primeiro número, "O Coiso" inseria uma entrevista com Hitler. A capa do nº 2 exibia uma foto de Pinochet afirmando que não usava monóculo. A capa do nº 3, que coincidiu com a fuga de Spínola para o Brasil na sequência do 11 de Março, mostrava uma fotomontagem do rosto do general no corpo musculado de banhista, com o título "Copacabana tem novo cabo do mar". Foi talvez a primeira vez que alguém utilizou fotomontagens na imprensa portuguesa, e estas bem artesanais, com tesoura e cola. A capa do nº 4 mostrava uma fotomontagem de Salazar dançando com uma dama, sob o título "A Vida amorosa do dr. Salazar". O nº 5 perguntava na capa: "Kissinger comunista?" e mostrava uma fotomontagem do dito com uma foice e um martelo nas mãos. O nº 6 garantia que "O Coiso" tinha entrevistado um ex-funcionário da CIA. No nº 7, mais precisamente na última página, o leitor era convidado a ir à merda. O nº 8 foi dedicado às eleições legislativas e o nº 9 ensinava a jogar aos monopólios. A capa do nº 10 mostrava uma fotomontagem de Marcello Caetano com asas de anjo, cantando "sou fascista e só por isso, entreguei-me todo a Cristo..." Finalmente, o nº 11 garantia, na capa, que "O Coiso é o único jornal que mente deliberadamente". Puras provocações...

Assim, a 16 de Maio, saía o último número da primeira série de "O Coiso". Vocês não fazem ideia do que a gente se fartou de rir a fazer "O Coiso"... Depois, aconteceu a crise no jornal "República", que acabou por fechar as portas.
Mais tarde, em Novembro de 1976, ainda saíram mais dois números de "O Coiso", mas a chama já se tinha apagado...

Passaram-se 24 anos. O Mário-Henrique já não está entre nós e, dos outros, fui perdendo o rasto. Mas o espírito do Coiso ainda por cá anda. Por isso decidi meter o Coiso na net. Por que não?...

Depois de "O Coiso", colaborei em muitos outros projectos: "Pão Comanteiga", programa de rádio, revista semanal e suplemento de "A Capital", "Uma Vez por Semana", o primeiro programa sexual na rádio portuguesa, "Contra-Ataque", "Os Intocáveis" e "Programa da Manhã", todos na rádio, os jornais "Pau de Canela" e "O Bisnau", "A Quinta do Dois", "Lá em casa tudo bem", "1,2,3" e "Zona Mais", na televisão, e ainda a peça de teatro "Quem tramou o comendador?". Além de tudo isto, ainda tive tempo para ser médico de família.

Enfim, entre "O Coiso" e "O coiso na net" existe apenas um link, que sou eu próprio.

Em "O coiso na net", poderá encontrar "histórias pouco clínicas", que tenho escrito ao longo destes quase 15 anos como médico de família e que se encontram publicadas em dois livros de circulação restrita: "Cinquenta histórias pouco clínicas mas muito cínicas" e "É preciso muita saúde para ser tão doente"; histórias exemplares, contos curtos e outros textos que escrevi desde 1973, e que foram sendo publicados em diversas sítios; "aforismos do coiso", frases curtas, sobretudo do "Pão Comanteiga"; e "o coiso dia a dia", comentários ao que se vai passando por aí.

Divirtam-se, que eu também...

Artur Couto e Santos in "O Coiso"


Próximo artigo: Pão com Manteiga

quinta-feira, maio 24, 2012

Contos do Gin-Tonic

A elaboração do artigo sobre o "Noites Longas" trouxe-me à memória este livro, que julgo possa ter influenciado o tipo de contos que ali foram divulgados, bem como no "Pão com Manteiga", ou não tivesse o Couto e Santos feito parte da redacção de O COISO, de que MHL foi chefe de redacção.
Merece pois, na minha óptica, ser relembrado ou dado a conhecer.

"Contos do Gin-Tonic", de autoria de Mário-Henrique Leiria, foi publicado em Março de 1973.
Na época era um livro de pequenos contos, mordazes, irreverentes, rebeldes e surreais, bastante actual, mas que passava despercebido, no final da "Primavera Marcelista".
(a foto repetida na capa é de MHL)
Julgue por si:
 
CARREIRISMO
Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o.
Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua.
Voltou passados vinte e dois anos, com chofér fardado.
Era Director Geral das Polícias. Seu pai teve o enfarte.

HISTÓRIA EXEMPLAR 
Entrei.
– Tire o chapéu – disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
– Sente-se – determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
– O que deseja? – investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
Saí.

CASAMENTO
«Na riqueza e na pobreza, no melhor e no pior, até que a morte vos separe.»
Perfeitamente.
Sempre cumpri o que assinei.
Portanto estrangulei-a e fui-me embora.


A VELHA E AS COISAS
 Verdade se diga que o país era pequeno, bem pequeno mesmo. Logo, é evidente, as coisas também tinham de ser pequenas, para caberem.
Daí os partidos. Havia o Partido Blicano e o Partido Crático; assim reduzidos, cabiam. Eram a Oposição.
Além disso, havia a Posição. O General, os Dois Coronéis, o Sargento (justicialista), o Professor Mustache, autor da Constituição e de «Cartas Patrióticas ao Corneta Pir» e a Velha dirigindo, claro.
Portanto as coisas lá iam, o comportamento geral era bastante aceitável, as cebolas vendiam-se a contento, o nabo aguentava-se, havia a nêspera e o export-import funcionava mais ou menos.
Mas também havia as eleições à porta. Era preciso tento, nada de imprevidências. E chamou-se o Galvez, dos Suplementos Literários, para montar o processo jurídico, organizar e levar o assunto a bom termo, como devia ser.
O Galvez organizou.
Leram-se as dignidades do preparo. O discurso activou-se e a pátria foi avisada que estava em perigo. Houve quermesses. A Velha explicou tudo ao país, mais uma vez, pela televisão. Elegeram-se misses e praticou-se música histórica, própria da conjuntura.
Assim se foram três meses, com várias bofetadas esclarecedoras aos que, pelos cafés, ainda não sabiam.
Então chegou o dia do voto. Todos deram o papel que lhes tinha sido entregue. Alguns espancamentos disciplinares, para clarear o voto, e a contagem fez-se.
A informação foi a seguinte:
Sopa de Feijão Branco (candidato Blicano)............. 13 728
O Bode (candidato Crático)....................................  13 727
D.ª Josefa Sur-Mer (candidata independente)......... 13 726
O General (candidato)....................................................13  

Donde, conforme a Constituição, o General foi eleito de novo, por maioria absoluta.
Havia os seguintes impedimentos legais:
Sopa de Feijão Branco não residia há mais de cinco anos no país (inconstitucional, portanto).
O Bode era menor e não estava inscrito nos cadernos eleitorais (inconstitucional, evidente).
D.ª Josefa Sur-Mer não sabia Matemáticas Modernas, já residia há mais de cinco anos no país e, além disso, era Sur-Mer (totalmente inconstitucional).
Vendo o acontecimento, o Galvez ameaçou escrever para mais Suplementos, pondo tudo em pratos limpos, já que lhe parecia – tinha até provas – que Sopa era residente perpétuo.
O Galvez foi chamado. A Velha falou-lhe. O Galvez escutou. A Velha explicou-lhe. O Galvez era patriota. O Galvez ficou convencido.
Daí em diante o Galvez passou a negociar – com exclusivo próprio – na exportação da nêspera conservada, do pescado enlatado e da camisa em renda de bilros. Teve também o Turismo e o Gabinete Alfandegário.
Aqui se vê, portanto, que a coisa pública seguiu esclarecida, firme, como era de desejar.
No entanto, dado o tamanho realmente pequeno do país, como aliás já fiz notar, houve que fazer mais umas reduções. A Oposição passou a chamar-se só Ó e os Independentes, devido à situação económica e à outra, ficaram apenas Pendentes.
Visto isto, o Galvez foi de ministro plenipotenciário para Tombuctu.
Como dizia a Velha, no seu habitual «Colóquio à Lareira» pela televisão:
– Para a frente, meus filhos. A pátria nos contempla e o passado nos espera.

Medicina tropical
O calor era alucinante. A chuva caía pesada, num jogo de massacre.
Sentiu que tinha uma tremenda dor de cabeça. Dirigiu-se ao posto clínico.
- Isso é coisa sem importância – disse o médico. – Tome estes comprimidos – deu-lhe três.
Tomou.
O calor continuava, sólido e exacto. A chuva também, persistente.
A dor de cabeça estava aumentar. Voltou ao posto clínico.
- Vamos já tratar disso – afirmou o médico. – Ora vire-se para lá.
Virou-se.
O médico proporcionou-lhe quatro supositórios.
O calor ainda; e a chuva. Sempre.
A dor de cabeça a estoirá-lo. retornou ao posto clínico.
- Vai ver que fica bom – explicou o médico. – Ora abra a boca.
Abriu.
O médico extraiu-lhe imediatamente dois molares e um canino.
O calor estava realmente alucinante. A chuva era espaço líquido.
A dor de cabeça a invadir-lhe o corpo todo. Foi ao posto clínico. Uma vez mais.
- Então como vai isso? – perguntou o médico.
Puxou o facão e espetou-o, preocupado e consciente, através do médico.
Resultou.

Rifão quotidiano
 
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Última Tentação
 
Então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida.
Ficaram os dois numa desesperante frustração.
Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!


Torah
 
Jeová achou que era altura de pôr as coisas no seu devido lugar. Lá de cima acenou a Moisés.
Moisés foi logo, tropeçando por vezes nas lajes e evitando o mais possível a sarça ardente.
Quando chegou ao cimo, tiveram os dois uma conferência, cimeira, claro. A primeira, se não estou em erro.
No dia seguinte Moisés desceu. Trazia umas tábuas debaixo do braço. Eram a Lei.
Olhou em volta, viu o seu povo aglomerado, atento, e disse para todos os que estavam à espera:
- Está aqui tudo escrito. Tudo. É assim mesmo e não há qualquer dúvida. Quem não quiser, que se vá embora. Já.
Alguns foram.
Então começou o serviço militar obrigatório e fez-se o primeiro discurso patriótico.
Depois disso, é o que se vê.


Biografia:
1923: A 2 de Janeiro Mário-Henrique Leiria nasce em Lisboa.
1942: É expulso, em Lisboa, da Escola Superior de Belas Artes, talvez por motivos políticos.
1949/51: Participa nas movimentações surrealistas portuguesas, entre as quais a obra colectiva Afixação Proibida
1952/57: Vários empregos: Marinha Mercante, caixeiro viajante, operário metalúrgico, servente de pedreiro, etc... Viaja pela Europa ocidental e central, também pelo norte de África.
1958: Visita a Inglaterra.
1959: Casa, em Lisboa, com uma rapariga alemã; dois anos depois o casal irá separar-se.  
1961: “Operação Papagaio” e MHL é detido pela PIDE. Parte para o Brasil.  
1970: Regressa a  Portugal.  
1973: Publica Contos do Gin-Tonic
1974: Publica Novos Contos do Gin. Revolução do 25 de Abril, em Portugal.  
1975: MHL é o chefe de Redacção de O COISO, ( com Rui Lemus, Carlos Barradas, Couto e Santos e uns tantos outros), suplemento semanal do diário A REPÚBLICA. Publica Imagem Devolvida, Conto de Natal para Crianças e Casos de Direito Galáctico seguido de O Mundo Inquietante de Josela (fragmentos)
1976: Adere ao PRP (Partido Revolucionário do Proletariado), na sequência do 25 de Novembro de 1975,  
1979: Publica Lisboa ao voo do pássaro. -  
1980: A 9 de Janeiro morre em Cascais (degenerescência óssea).

Histórias com disco ao meio

As Noite Longas do FM Estéreo
Rádio Comercial - FM
Emissões: de 1982 a Fevereiro de 1988
Realização: António Santos
Transmissão: domingos das 21.00 às 24 horas
Equipa: António Santos, Eduarda Ferreira e João Viegas



Para além de uma selecção musical da mais tranquila tinha, ainda, os famosos textos. Os contos curtos. Da autoria de António Santos, João Viegas e também, nos últimos 2 anos de emissões, de Eduarda Ferreira e Eduardo Guerra Carneiro, estes eram uma fusão improvável entre declamação perfeita e "contos do imprevisto".

Se você também teve, como eu, um cantinho confortável neste programa então proponho que reserve algum tempo do seu serão, se puder ser de domingo tanto melhor, e passe-as, novamente, na companhia do melhor som, tranquilamente.

Este programa não é original. Foi montado a partir de fragmentos de gravações espalhadas por várias cassetes, sem olhar a continuidade temporal. Poderá ouvir intervenções anteriores ao aniversário do 5º ano de emissões e posteriores (reconhecíveis pela publicidade Cristal Atlantis utilizando outras vozes - novidade que, digo de passagem, para mim marcou o início do fim). Ao digitalizar as gravações procurei eliminar o som de fundo típico das cassetes e melhorar a qualidade sonora mas reconheço que nalguns casos o resultado final ficou aquém do que seria ideal.

A selecção musical foi cuidadosamente escolhida e só dois temas foram retirados directamente das fitas, os restantes provieram de fonte digital. Procurei escolher temas ou artistas que passavam no programa. A maioria constam de facto das minhas gravações, e por isso os escolhi. Outros estou convencido de os ter ouvido lá. E outros ainda apenas sei ter ouvido o artista, sendo o tema selecção minha.

Mas o ponto alto desta podcast será, sem dúvida, os famosos contos curtos. E poderá ouvir, ao longo das 3 horas de emissão, nada menos do que 6 deles, entre publicidade dedicada ao patrocinador do programa, Cristal Atlantis. Poderá até recordar a famosa frase de despedida 

"Então boa noite e bom soninho, se for caso disso".




“O noites longas” foi, para mim, o meu último programa de culto.

A qualidade da escolha musical, a sobriedade da apresentação, o gosto dos textos, a roçar a irreverência, o humor absurdo e a provocar sorrisos cúmplices, fazendo lembrar os textos de Mário-Henrique Leiria (Contos do Gin-Tonic), que eu tinha comprado no pós-25 de Abril, pela módica quantia de 60$00, eram motivo mais que suficiente para voltar todas as semanas.

On The Rocks
"Quero mais gelo, por favor!" O empregado colocou duas pedras no copo. "Mais gelo. Estou cheio de calor. Mais gelo!" Dezoito pedras depois, o cliente continuava a pedir: "Mais gelo, ó homem, um pouco mais de gelo!" 
Sub-repticiamente o empregado carregou no botão oculto pelo reposteiro. O icebergue que caiu do tecto raspou na testa do cliente, de leve, e aterrou no copo com grande estrondo.

O burro
Sempre lhe tinham chamado burro. Na escola os colegas riam-se dele. As namoradas troçavam do comprimento das orelhas. Consideravam-no teimoso e pouco inteligente. Quando não o apelidavam de burro, os nomes escolhidos eram ainda piores. Triste, abanou as orelhas e zurrou prolongadamente.

"Ao contrário do que se poderia pensar, trata-se de histórias curtíssimas, de fino humor, que procuram não a gargalhada, mas o sorriso cúmplice. "Essas pequenas histórias, que como pontuam belíssimos momentos musicais ao longo de todo o programa, são um exemplo de utilização inteligente, e diferente, do "non - sense" - Rui Cartaxo, Sete

"Com António Santos à cabeça e João Viegas na "sombra", sempre na mesma linha, "quem conta um conto aumenta um disco" e já está uma emissão de realização simples e linear e, no entanto, boa como poucas"- Diário de Notícias.

"Ou como se pode ser simultaneamente terno e mordaz, divertido e atrevido, paliativo e chocante. Uma taça de ternura seguida de um balde de água fria"- Diário de Lisboa

"As noites longas do FM Estéreo é daquelas emissões que o "contra" não perde. Boa música no horário certo, os textos curtos, bem lidos, quase sempre a merecer, pelo menos, um sorriso."- Correio da Manhã

Assim, foi com muita satisfação que encontrei um podcast (http://lighthouseradio.podomatic.com/) onde é possível ouvir algumas horas de programa, bem como o indicativo musical que era usado.




Mais tarde, o figurino haveria de ser imitado, em especial no respeitante aos textos, noutro programa de êxito: “Pão com Manteiga”, que também aqui terá a sua história relatada.



ANTÓNIO SANTOS, curriculum
 
António Santos é jornalista desde 1974. Na RTP foi repórter, apresentador de noticiários (Jornal das 9, RTP/2) editor, chefe de redacção, coordenador de notícias e autor de conteúdos televisivos como o Jornalinho, um telejornal para jovens. Na imprensa assinou crónicas regulares na Gazeta dos Desportos, Record, O Jornal, Tempo Livre e Visão.
Foi assessor de imprensa e coordenador de comunicação do Primeiro-Ministro António Guterres nos XIII e XIV Governos Constitucionais.
 Em 2003 apresenta a colectânea de contos Os Sapos Vivos estão pela Hora da Morte.
Antes disso, no ano de 1986, publica, em co-autoria, a selecção de textos As Noites Longas/do Fm-Estéreo, título homónimo do programa que idealizou, criou, realizou e apresentou na Rádio Comercial durante sete anos
Em 2010 publica o seu segundo romance, Deixei-te o Sorriso em Casa, depois de, em 2007, ter lançado O Pescador de Girassóis, também romance.
 
PRÉMIOS/DISTINÇÕES -
Sete de Ouro/1987-Jornal SE7E - António Santos, melhor autor e realizador de Rádio com o programa “As  Noites Longas do Fm Estéreo.

Troféu Nova Gente/1984 - António Santos, melhor apresentador de Rádio com o programa “As Noites Longas do FM  Estéreo”.

Prémio Regra de Ouro-RTP/1985 -António Santos, melhor autor de Televisão em Portugal (1985) com o programa "Jornalinho”.

Troféu Verbo/1985 - Melhor divulgação de livros, na Comunicação Social, programa   “Jornalinho”/RTP.








segunda-feira, maio 21, 2012

Carta aos Pink Floyd

Quando vos começei a ouvir nem "teenager" era, eu e todos os meus amigos dos quais ainda hoje conservo a amizade, vivíamos num país "cinzentão" e sem futuro, éramos sedentos de cultura e não queríamos ir para "aquela" guerra.

Alguns de nós foram mas, e ainda bem logo, logo voltaram. Mas alguns de nós e de vós (por outras razões) já "partiram" para nossa tristeza. E é assim que vemos como o tempo passou por todos nós de forma impiedosa.

No tal país "cinzentão", havia muita musica pró e anti-cinzenta, mas dentro da musica de outras "paragens", vocês eram o arco-íris, e que arco-íris... Nós que á época nos achávamos eternos hoje já não tanto. 
Faziam-nos viajar convosco por outros mundos, "pela face escondida da Lua", pelo universo dos "Ecos", pelos "Átomos da Terra mãe". Depois de muitas viagens interestelares de "domínio astronómico", e de nos fazerem ficar sem respiração ao "apontarem os controles directamente para o coração do Sol", regressaram á Terra "Obscura por nuvens" e "Mais", deram a "Pedrada no Muro".

Depois, e fruto de muitas e muitas viagens siderais, explodiram para nossa tristeza. Um dia, quando chegar "esse" tempo, vamos rever as nossas viagens por todos esses remotos e mágicos lugares, por onde viajámos juntos.

Obrigado e até sempre "Fluído Côr-de-Rosa" (Pink Floyd)

" A Despedida" *** "Velho"

Esqueci-me que este Blog não era um programa de rádio.
Esqueci-me que tenho 56 anos.
Esqueci-me que somos mais que adultos, pais e avós.
Dei comigo a sugerir e a mandar "Links" para audições.
Esses tempos não voltam mais.
Há uns anos a Ana Bola dizia no "Câmara Clara" da RTP2
Num programa sobre o humor em Portugal
Que a década de 70 foi maravilhosa mas não volta mais.
Vou assumir a idade mesmo sem vontade.
Na musica nada vai voltar a ser como dantes.
Nem os anos 60 nem os 70, os tempos são outros.
Vários amigos nossos já partiram. Um dia partiremos nós.
A amizade, essa coisa esquisita, essa fica mesmo que á distância.
Não estou a ouvir musica enquanto escrevo estas notas
Embora últimamente, e cada vez mais regresse nela ao passado.
Na minha cabeça neste momento, e enquanto escrevo ecoa na íntegra
"Echoes" do sublime... "Meddle" dos sublimes...Pink Floyd.


http://www.youtube.com/watch?v=HehcJaTyd-E

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Estou velho mas recuso-me a crescer.
Recuso-me a envelhecer, ou melhor recuso-me a ficar velho
no sentido lato da palavra. E para quê e porquê ?
Muitos dos meus ídolos já "partiram" há muito e bem novos.
Outros têm vindo a "partir".
São portas que se vão fechando pois nada é eterno.
Talvez algumas coisas devessem sê-lo ?
Para mim eles ainda estão vivos mas algures noutra dimensão e continuam virtuosos.
Hoje não encontro ninguém que se assemelhe, e quando assim é o tempo não passa e Woodstock é já amanhã.........


http://www.youtube.com/watch?v=TrWNTqbLFFE

terça-feira, abril 24, 2012

E nesta véspera de dia importante talvez os nossos melhores á época...

http://www.youtube.com/watch?v=zOXrNJZQt70

http://www.youtube.com/watch?v=tAwd3hA8S1Y

Este Paulo Coelho cada vez está mais velho.

Publíca coisas armado em erudito e embora não esqueça omite o básico, as origens. Nesta véspera do trigésimo oitavo aniversário do 25 de Abril, o mundo mudou e muito, o nosso mundo esse então nem se fala. Mas se mudou, antes já havia musica, mas foi com eles que tudo começou a mudar...

http://www.youtube.com/watch?v=gmmRx5jZJco

http://www.youtube.com/watch?v=zOXrNJZQt70

http://www.youtube.com/watch?v=uQNAGAbi3G0

http://www.youtube.com/watch?v=vs7jxtPCqks


Alguns de nós já cá chegaram, uns estão quase a chegar, e outros infelizmente já não vão chegar mas a vida é assim.

http://www.youtube.com/watch?v=eCss0kZXeyE

Mas continuamos amigos e ligados e isso é o mais importante....

quarta-feira, abril 04, 2012

Tempo Livre nº 1

Pois é amigos! Finalmente, consegui arranjar forma de colocar aqui no blog a gravação do primeiro Tempo Livre que produzimos e gravámos, há cerca de 40 anos.

Quem tiver curiosidade de ouvir, apenas terá que clicar no nome da faixa.

Espero que traga boas recordações a todos aqueles que nele colaboraram !





PS: Foi o mais parecido com as amêndoas da Páscoa que consegui arranjar!

domingo, março 04, 2012

O GÉNIO DO ZECA

Há dias, quase um mês atrás,  a RTP 1 dedicou-lhe um programa de cerca de três horas, onde lhe traçaram o perfil e lhe elogiaram a obra. Foi preciso terem passado 25 anos após a sua morte, para lhe reconhecerem a modernidade e a importância das suas composições.Deram-lhe agora um relevo maior do que durante toda a sua vida.Mas, esse reconhecimento já tinha sido efectuado por todos os músicos e cantores, oriundos dos mais diversos estilos musicais, que tocaram e reinterpretaram as suas canções.Teria agora 83 anos, a idade de muitos dos nossos pais mas, a mim sempre me pareceu mais novo.Sou suspeito. Sempre fui grande admirador da sua obra e mesmo da sua forma de estar. Por isso, concordo plenamente com o único elogio possível: Genial!


Ao longo de 32 anos publicou: 
  • 2 singles (78 rpm), 32 EP (45 rpm) e 18 LP's (33 rpm)
  • Que foram editados por  11 etiquetas diferentes - Melodia, Rádio Triunfo, Discos Rapsódia, Columbia, Discoteca Santo António, Arnaldo Trindade, EMI  Valentim de Carvalho, LUAR, Sassetti, Foto Sonoro e Transmédia;
  • Que foram gravados em 15 locais diferentes - Estúdios do Emissor Regional de Coimbra (Emissora Nacional), Museu Machado de Castro (Coimbra), Mosteiro de S Jorge de Milreu (Coimbra), Estúdios Valentim de Carvalho, Estúdios RTP Monte da Virgem, Estúdios Polysom Lisboa, Pye Records Studio Londres, Strawberry Studio Herouville França, Estúdios Celada SA em Madrid, Estúdio Aquarium Paris, Estúdios Arnaldo Trindade, Estúdios Rádio Triunfo, Coliseu de Lisboa, Parque de Santa Cruz Coimbra, estúdios Angel 1 e 2;
  • Neles colaboraram pelo menos de acordo com os créditos dos discos 109 músicos - 
    Adácio Pestana, Adriano Correia de Oliveira, Alan Noel, Alain, Alfredo Vieira de Sousa, André Carradot, António Bernardino Pereira, António Brojo, António Chaínho, António Portugal, António Sérgio, Artur Costa, Aurélio Reis, Benedetti, Benedicto, Cantaril, Carlos Alberto Moniz, Carlos Correia, Bóris, Carlos Medrano, Carlos Villa, Carlos Zíngaro, Cecília Barreira, Celso de Carvalho, Christian Padovan, Conjunto de Guitarras de Jorge Fontes, Dimas, Pereira Durval, Moreirinhas, Edgar Caramelo, Eduardo Melo, Ermenegildo, Ernesto Duarte, Fausto, Fernando Gonzalez, Filipe Colaço, Formiga, Francisco Fanhais, Grupo de Cantigas do Centro Cultural de Anadia, Guida,  Cristina, Guilherme Inês, Guilherme Scarpa, Helena Vieira, Isabel, Jacques Granier, Janine de Waleyne, Janita Salomé, Jean Claude Dubois, Jean Claude Naude, João Magalhães, João Rodrigues, Jorge Godinho, Jorge Luz, José Dominguez, José Fortunato, José Jorge Letria, José Luis Iglésias, José Maria Nóbrega, José Mário Branco, José Niza, Júlio Pereira, Lena, Levy Baptista, Lopes de Almeida, Luís Duarte, Luis Filipe, Luis Marinho, Luís Represas, Maite, Manuel Guerreiro, Manuel Pepe, Marcel Perdigon, Maria do Amparo, Mário de Castro, Mário Jorge Bonito, Michel Bergès, Michel Buzon, Michel Crone, Michel Delaporte, Michel Grenu, Naomi Anner, Né Ladeiras, Octávio Sérgio, Paulo Alão, Paulo Godinho, Pedro Afonso, Pedro Caldeira Cabral, Pedro Casaes, Pedro Vicedo, Pedro Wallenstein, Pepe Ébano, Pintinhas, Quim Barreiros, Ramón Galarza, Rão Kyao, Ricardo Galeazzi, Rui Cardoso, Rui Castro, Rui Júnior, Rui Pato, Sérgio Godinho, Sérgio Mestre, Sousa Colaço, Teresa Paula Brito, Teresa Silva Carvalho, Toinas, Tomás Pimentel, Tony Branis, Trovante, Vitorino e Yório Gonçalves;
  • O que representou a publicação de 174 faixas diferentes-
    • 42 de outros letristas - Afonso de Sousa, Airas Nunes, Américo Durão, António Aleixo, António Barahona, Manuel Alegre, António Nobre, António Portugal, António Brojo, António Quadros pintor, Bertold Brecht, adaptação Luís Francisco Rebelo, Camilo Castelo Branco, Carlos Figueiredo, Edmundo Bettencourt, Eduardo Tavares de Melo, F Miguel Bernardes, Fernando Pessoa, Francisco Bastos, Hélder Costa, Horácio Menano, Jorge de Sena, José Carlos Ary dos Santos, Lope de Vega, Luis Andrade Pignatelli, Luís de Andrade, Luís Francisco Rebelo,  Mutimati Barnabé João, Nicolau Tolentino, Paulo Armando e Reinaldo Ferreira;
    •  29 de origem popular;
    • Nas restantes, José Afonso foi responsável, quase na integra, pela  letra e música .

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

A FRIEZA DOS NÚMEROS

Amanhã, 9 de Fevereiro, este blogue atinge o seu 500º dia!
Durante este tempo, foi visitado 835 vezes, quase duas vezes por dia.
790 das visitas tiveram origem em Portugal e 15 na Alemanha, o que se entende.

Mas houve 12 visitas oriundas da Rússia, 7 do Brasil, 4 dos Estados Unidos, 2 de Espanha, 2 da Ucrânia, 1 da Bulgária e 1 da Itália.
E se a maioria utilizou o Windows (803), também houve quem utilizasse o Mac (13), o Linux (8), o IPad (7), o Nokia (2) ou o Android (1).

Já atingimos a internacionalização!
O melhor é seguirmos o conselho do sr. Ministro da "Inconomia", e passarmos a "franchisar" do nosso blog como se fosse um "pastel de nata"!


quarta-feira, janeiro 11, 2012

OLHA O PASSARINHO! (2)

De autoria do sr. Engº Barroso, que já devia saber da vinda dos chineses, e que tinha pilhas novas na máquina, (ao contrário deste vosso amigo que foi carregado com a máquina com as pilhas descarregadas), e um cartão vazio, pelo que apenas fez.... 36 bonecos.





 
 

 


 

 







 

A reter:
  • o aspecto de homem de negócios atarefado, misto vendedor de "banha da cobra" do Paulo Coelho;
  • o aspecto calmo e sereno do Funenga;
  • o ar intelectual do Tão;
  • o ar jovial do Tó Moniz;
  • o ar de "puto" do Rui Coelho;
  • as barrigas, os cabelos brancos e a sua falta, na esmagadora maioria dos presentes.
E mais não digo.